
Pierre Verger (foto de Gautherot)
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Biografia
Pierre Verger nasceu em Paris, no dia quatro de novembro de 1902.
Desfrutando de boa situação financeira, ele levou
uma vida convencional para as pessoas de sua classe social até
a idade de 30 anos, ainda que discordasse dos valores que vigoravam
nesse ambiente. O ano de 1932 foi decisivo em sua vida: aprendeu
um ofício - a fotografia - e descobriu uma paixão
- as viagens. Após aprender as técnicas básicas
com o amigo Pierre Boucher, conseguiu a sua primeira Rolleiflex
e, com o falecimento de sua mãe, veio a coragem para se tornar
um viajante solitário. Ela era seu último parente
vivo, a quem não queria magoar com a opção
por uma vida errante e não-conformista.
De dezembro de 1932 até agosto de 1946, foram quase 14 anos
consecutivos de viagens ao redor do mundo, sobrevivendo exclusivamente
da fotografia. Verger negociava suas fotos com jornais, agências
e centros de pesquisa. Fotografou para empresas e até trocou
seus serviços por transporte. Paris tornou-se uma base, um
lugar onde revia amigos - os surrealistas ligados a Prévert
e os antropólogos do Museu do Trocadero - e fazia contatos
para novas viagens. Trabalhou para as melhores publicações
da época, mas como nunca almejou a fama, estava sempre de
partida: "A sensação de que existia um vasto
mundo não me saía da cabeça e o desejo de ir
vê-lo me levava em direção a outros horizontes".
As coisas começaram a mudar no dia em que Verger desembarcou
na Bahia. Em 1946, enquanto a Europa vivia o pós-guerra,
em Salvador, tudo era tranqüilidade. Foi logo seduzido pela
hospitalidade e riqueza cultural que encontrou na cidade e acabou
ficando. Como fazia em todos os lugares onde esteve, preferia a
companhia do povo, os lugares mais simples. Os negros monopolizavam
a cidade e também a sua atenção. Além
de personagens das suas fotos, tornaram-se seus amigos, cujas vidas
Verger foi buscando conhecer com detalhe. Quando descobriu o candomblé,
acreditou ter encontrado a fonte da vitalidade do povo baiano e
se tornou um estudioso do culto aos orixás. Esse interesse
pela religiosidade de origem africana lhe rendeu uma bolsa para
estudar rituais na África, para onde partiu em 1948.
Foi na África que Verger viveu o seu renascimento, recebendo
o nome de Fatumbi, "nascido de novo graças ao Ifá",
em 1953. A intimidade com a religião, que tinha começado
na Bahia, facilitou o seu contato com sacerdotes, autoridades e
acabou sendo iniciado como babalaô - um adivinho através
do jogo do Ifá, com acesso às tradições
orais dos iorubás. Além da iniciação
religiosa, Verger começou nessa mesma época um novo
ofício, o de pesquisador. O Instituto Francês da África
Negra (IFAN) não se contentou com os dois mil negativos apresentados
como resultado da sua pesquisa fotográfica e solicitou que
ele escrevesse sobre o que tinha visto. A contragosto, Verger obedeceu.
Depois, acabou encantando-se com o universo da pesquisa e não
parou nunca mais.
Nômade, Verger nunca deixou de ser, mesmo tendo encontrado
um rumo. A história, costumes e principalmente a religião
praticada pelos povos iorubás e seus descendentes, na África
Ocidental e na Bahia, passaram a ser os temas centrais de suas pesquisas
e sua obra. Ele passou a viver como um mensageiro entre esses dois
lugares: transportando informações, mensagens, objetos
e presentes. Como colaborador e pesquisador visitante de várias
universidades, conseguiu ir transformando suas pesquisas em artigos,
comunicações, livros. Em 1960, comprou a casa da Vila
América. No final dos anos 70, ele parou de fotografar e
fez suas últimas viagens de pesquisa à África.
Em seus últimos anos de vida, a grande preocupação
de Verger passou a ser disponibilizar as suas pesquisas a um número
maior de pessoas e garantir a sobrevivência do seu acervo.
Na década de 80, a Editora Corrupio cuidou das primeiras
publicações no Brasil. Em 1988, Verger criou a Fundação
Pierre Verger (FPV), da qual era doador, mantenedor e presidente,
assumindo assim a transformação da sua própria
casa num centro de pesquisa. Em fevereiro de 1996, Verger faleceu,
deixando à FPV a tarefa de prosseguir com o seu trabalho.

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