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Seu encontro com Fatumbi

negrizuNegrizu, Carlos Santos, é baiano, instrutor profissional de dança, bailarino, pesquisador, coreógrafo e ator. Conheceu Verger nos caminhos da arte. Autodidata, com mais de 30 anos de experiência, se capacitou no convívio com mestres e em cursos de extensão, oficinas de dança e teatro. Difundiu seu conhecimento na dança afro em workshops no Brasil e na Europa.

Hoje se dedica a transmitir o que aprendeu a alunos de instituições de ensino artístico e cultural. Dá aulas para jovens adultos e jovens senhores no Espaço Cultural da Fundação Pierre Verger, e para adolescentes, na Escola Olodum. Estudou na Escola de Música e Artes Cênicas (Emac) da UFBA. Participou do Projeto Teatro, da Fundação Gregório de Matos com oficinas de canto, projeção de voz e interpretação, na montagem do espetáculo dirigido por Márcio Meireles. Foi professor de dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia durante quinze anos.
Negrizu integrou a Banda IlúBatá, com apresentações em festivais, feiras de cultura e ciclos de dança em algumas capitais brasileiras. Visitou vários países da África, na companhia de pesquisadores, incluindo o fotógrafo e antropólogo Pierre Verger.
Dirigiu o Grupo Deuses em Transe com apresentações na França e na Inglaterra, sob a orientação de Gilberto Gil. Como ator, interpretou o Orixá Exu, na minissérie Mãe de Santo da rede Manchete de Televisão, como protagonista do primeiro capítulo. Dançou no espetáculo Retratos da Bahia, do Balé do Teatro Castro Alves, sob a direção da coreógrafa e bailarina Debie Growald. Foi mestre Griot, no projeto Ação Griot do Ministério da Cultura (Minc). Montou coreografias para os alunos da Escola Olodum no lançamento do CD Tambor Cidadão.

Quando você conheceu Verger? Como foi o primeiro contato?

Foi através da arte. Como dançarino destaque do Afoxé Badauê fui incluído em um grupo de visita a Pierre Verger, com alguns diretores do afoxé para uma pesquisa sobre a cultura negra, no início dos anos 80. Simpático, ele me presenteou com um de seus livros, Orixás. Mais tarde eu iria trabalhar com o seu acervo fotográfico por mais de dez anos.

Pode contar curiosidades, histórias, detalhes que queira compartilhar?

Uma curiosidade foi a sopa com olhos de macaco que ele tomou numa paróquia na Polinésia, em que o frade, antigo conhecido de sua família, havia lhe hospedado e preparado a janta.
E ele tomou com dificuldades, pois tinha vindo um dos olhos no meio. O frei perguntou se gostou, ele afirmou que sim e o homem lhe ofereceu o outro olho, achando que estava agradando, mas repetindo sua insatisfação.

Qual é a foto de Verger que você mais gosta e a que mais te toca?

A minha foto preferida é a de Mãe Senhora sentada na cadeira, pelo seu olhar imponente e sua posição elegante. Mas a que mais me toca é a da lavagem do Bonfim em que Verger focaliza uma baiana e uma nuvem em forma de anjo, dando encantamento e ainda mais autenticidade à sua técnica em captar a imagem de baixo para cima.